Necro País
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Letras.
MA Não é Pra Qualquer Um
Filho batendo na mãe velha
Índio de bolado querendo terra
Um belo dia o playboy esganou
Pegou a cunhada e estuprou
Proibido roubar na quebrada
Tinta preta na parede riscada
A xerifa é da área
O maranhão exportando a vera
MA não é pra qualquer um
Sozinha Ludmila tava de toalha
E o padrasto pulou o muro para lhe matar
Uma pelada inocente no final da tarde
E muitos querem o juiz esquartejar
MA não é pra qualquer um
Seu Francisco matou 12 ali no Pará
42 talvez no lumiar
Num bar na praia sua matéria teve um final
De jornalista a noticia nacional
Em Nome do Pai
Deixou a mãe e a filha pra traz
a casa, a cria, a mulher e tudo mais
Adolescente a vontade cresceu
Viver com pai que não conheceu
Um carro de funerária
Chegou a sua porta
Mudado ele voltou
Pau que nasce torto
Nunca desentorta
Aos 14 anos, saindo de casa
Era o shopping, amigos o que procurava
De filha a esposa
Casamento e corcel
Fantasia da cria, um carro
Do pai o motel
Em nome do pai
Ele te distrai
Em nome do pai
Ele te fode por traz
Um dia o pai dela acordou
Sangue no olhou se ligou
Que na escola devia ter
O namorado iria lhe ver
Choveu pipoco em suas costas
Um pai do jeito que o diabo gosta
Em nome do pai
Ele te distrai
Em nome do pai
Ele te fode por traz
Em nome do pai
Ele te fode por traz
O Diabo Veste Terno
Seu porra desgraçado só fudendo com o país
Se faz de bom moço só pra enganar o povo
Agora é engraçado o meu pau no seu nariz?
Você lambendo bem eu voto em você de novo
O diabo veste terno
Você preside a mesa com demônios ao lado
Só fica ai sentado vendo o povo se matar
Com migalhas de pão compra o povo esfomeado
Que 6 6 6 na urna vão digitar
O diabo veste terno
Saco de Merda
É impossível imaginar
Nesse mundo a salvação
De 10, 11 eu vejo
Praticando ostentação
Marido bebe cachaça
E mata a mulher
Todo mundo sabe quem é
Denunciar ninguém quer
Um saco de merda
Andando no chão
É cada um por si
Me tira daqui
A empatia
Foi pra casa
Casa do caralho
Levar vantagem
É o esquema
Todo mundo quer
Sede, Fome e Traição
Mais um dia vivo, esquecido e fudido
Cruzei a linha e levei no reto, só fica vivo aqui o quieto
Sede, fome e traição,
Deu vacilo, pisou legal, vão quebrar no chão
Piscou perdeu o olho, nem ví deixa pra lá
Satanás é estagiário, aqui o ódio é o nosso ar
Sede, fome e traição,
Deu vacilo, pisou legal, vão quebrar no chão
Furou, matou
Ter pena de ti? Não!
Vendeu sua alma por pouco trocado, hoje condenado dormindo com rato, uma boa vida podia ter, fez a sua escolha e agora vai se fuder vendeu sua alma por pouco trocado, hoje condenado dormindo com rato, uma boa vida podia ter, fez a sua escolha...
Sede, fome e traição,
Deu vacilo, pisou legal, vão quebrar no chão
Furou, matou
Vídeo.
Resenha.
Existe um embate eterno entre quem acredita que o metal não deve se envolver com questões partidárias ao mesmo tempo que outros grupos de bangers (ao qual esse que escreve se enquadra) defende a música como uma manifestação extrema e que tem por missão passar uma mensagem e nesse cenário tão desgraçado que é a nossa realidade, nada melhor do que boas doses de metal morte para nos fazer refletir e ao mesmo tempo deslocar o pescoço. com isso, apresento a banda Açoite que vem da efervescente cena do Maranhão e nesse segundo EP batizado de "Necro País" coloca o dedo na ferida e escancara nossas mazelas.
Depois da intro É Muito Bom Matar Gente, a porrada começa com MA Não é Pra Qualquer Um, a faixa tem aquele andamento bem típico do death metal brasileiro com momentos que a guitarra segura o peso, os vocais são urrados e me lembrou os catarinenses da Trator BR.
Em Nome do Pai mantém aquela pegada rápida. Aqui o som me remete ao Claustrofobia tanto pelo timbre da guitarra, quanto pelo som em si, que tem aquela agressividade tanto na parte lírica como no som. O Diabo Veste Terno é uma singela declaração de amor à todos os políticos e o som vem nessa pegada agressiva.
As homenagens continuam com Saco de Merda, esse som tem um riff sensacional com um refrão bem marcado, eu particularmente, curto bastante quando as bandas tiram o pé do acelerador e depois voltam com uma pegada mais visceral. E fechando o trabalho Sede, Fome e Traição, um simples retrato de como o país hoje está e nos leva a pensar que na verdade é tudo fruto das escolhas. Em tempos tão perversos, EPs como "Necro País" é um retrato da nossa falência, por isso mesmo indispensável!
(por Harley Caires - Underground Extremo - em 29/11/2021)
